sexta-feira, outubro 24, 2003

Nem mais. Ora vejam, sff...

Exmo. Sr. Ministro da Educação,

Venho por este meio solicitar a V. Exa. uma atenção para com a situação
dramática da minha filha. A verdade é que ela, apesar dos seus tenros
cinco anos, está, posso assegurar-lhe, completamente apta a ingressar no
curso de Medicina. Gostava, aliás, se possível, que garantisse desde já,
para o fim do curso, a especialidade de Cardiologia.

A verdade é esta: eu, a dada altura da minha vida, pus a forte
possibilidade de seguir o curso de relações internacionais. Caso o
tivesse feito, estou seguro que teria ingressado na carreira
diplomática. Não o fiz, pelo meu deficiente domínio da língua inglesa.
Ora, tivesse eu optado por este curso, estou seguro que a minha filha
teria o direito a ingressar no contingente especial para filhos de
diplomatas.

Perguntará se não será um pouco cedo para a minha filha, com cinco anos,
entrar na faculdade. Os factos, mais uma vez, têm de ser explicados: a
verdade é que, 13 anos antes do nascimento da minha filha, eu ponderei a
forte possibilidade de procriar. Não explico, por pudor, as razões que
inviabilizaram esta minha pretenção. Seja como for, hoje a minha filha
teria 18 anos.

Será justo a minha filha ser prejudicada por estas duas decisões que
tomei e às quais ela é completamente alheia?

Terá a minha filha de ser prejudicada pelo meu fraco domínio da língua
inglesa?

Terá ela de ver a sua vida académica perturbada pelo adiamento do seu
nascimento?

Expostos estes factos, pedia ao Senhor Ministro para despachar
favoravelmente a minha solicitação.

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